
Galicia e Norte de Portugal reforçam a sua liderança em hidrogénio renovável no seminário HI_MOV
No âmbito do projeto INTERREG POCTEP HI_MOV, o Centro de Tecnologias da Automoción de Galicia (CTAG) acolheu, na semana passada, um seminário dedicado às estratégias de hidrogénio, aos vales de hidrogénio e ao desenvolvimento de corredores transnacionais. O evento, organizado pela Universidade de Santiago de Compostela, reuniu destacados especialistas dos sectores energético, académico e industrial, com o objetivo de fomentar a descarbonização, reforçar a competitividade e avançar na transição energética na Galicia e no Norte de Portugal.
Na sessão de abertura, foi sublinhada a importância da Eurorregião enquanto líder em geração elétrica renovável, uma vantagem determinante para avançar na produção de hidrogénio verde. Javier Domínguez, Diretor de Energia do Instituto Enerxético de Galicia, destacou que a Galicia já alcançou 84,6% de produção renovável, aproximando-se da meta de 84,8% prevista para 2030 no âmbito da Agenda Galicia 2030. Acrescentou ainda que tanto a Galicia como o Norte de Portugal dispõem de recursos e capacidades para se posicionarem como líderes na produção, armazenamento e consumo de hidrogénio renovável, permitindo descarbonizar setores difíceis de eletrificar e fortalecer o tecido produtivo.
Estratégias de hidrogénio na UE
Moderada pela Catedrática de Física da Universidade de Santiago de Compostela, Josefa Salgado-Carballo, a primeira mesa do seminário reuniu Javier Dufour, Professor de investigação do IMDEA Energía e Catedrático da Universidade Rey Juan Carlos; Emilio Nieto, Diretor do Centro Nacional do Hidrogénio; e Dolores Riveiro, Professora de Teoria Económica do IDEGA (Universidade de Santiago de Compostela).
Os intervenientes concordaram na necessidade de manter uma visão realista sobre o ritmo de adoção do hidrogénio como alternativa para a descarbonização. Sublinhando a ambição das atuais estratégias energéticas, defenderam ser imprescindível planear com rigor e promover a colaboração entre todos os agentes envolvidos. Esta cooperação deve abranger tanto o domínio público-privado como a colaboração interempresarial, de modo a escalar a produção e ajustá-la à procura.
Defenderam igualmente que a transição deve ser sustentável nos planos económico, ambiental e social, tanto dentro da UE como em países terceiros. Para avançar, consideraram essencial ultrapassar disputas partidárias, melhorar o diálogo com os diferentes grupos sociais e definir estratégias de longo prazo.
Vales de hidrogénio e indústria
Moderada por José Luís Salgueiro, Coordenador do Projeto HI_MOV no CTAG, a segunda mesa-redonda centrou-se no papel da indústria nos vales de hidrogénio. Participaram Guillermo Figueruelo, Membro do Conselho da Hydrogen Europe e Responsável de Estratégia da Fundación Hidrógeno Aragón; António Vilanova, Chefe de Sustentabilidade da Empresa Hycarb; e Luís Teira, Diretor da Galvin Abogados.
Os especialistas destacaram que uma colaboração estreita entre administrações, indústria, academia e sociedade civil é condição essencial para avançar nos vales de hidrogénio. Sublinhando a necessidade de reduzir os custos do hidrogénio renovável, defenderam incentivos diretos, menores custos elétricos, instalações modulares ampliáveis e a reutilização de infraestruturas existentes. Acrescentaram ainda a importância de simplificar procedimentos administrativos e harmonizar legislações nacionais, algo particularmente relevante em eurorregiões como Galicia–Norte de Portugal.
Corredores de hidrogénio
A última mesa-redonda, dedicada aos corredores de hidrogénio, foi moderada por Luís Varela, Catedrático de Física da Universidade de Santiago de Compostela. Contou com a participação de Domenico Vito, Consultor da Lombardy Foundation for the Environment, e de Tânia Estêvão, Project Manager de Sustainability & ESG da Mobinov.
A partir da experiência do projeto H2MA, Domenico Vito explicou os passos seguidos para acelerar a criação de um corredor de mobilidade com hidrogénio na região alpina, através de ferramentas e estratégias de cooperação transnacional. Por sua vez, Tânia Estêvão destacou a importância de estandardizar a certificação do hidrogénio para aproveitar o potencial da Eurorregião como “Atlantic Gateway”, um ponto estratégico para centralizar a produção, o envio e a receção de hidrogénio.
Mudança de mentalidade
Ao longo do seminário, duas ideias-chave foram repetidas. Primeiro, que uma transição justa para uma sociedade menos dependente de combustíveis fósseis exige uma verdadeira mudança de mentalidade. Segundo, que o hidrogénio deve ser entendido não apenas como uma ferramenta de descarbonização para o transporte e a indústria, mas também como um instrumento para reforçar a independência energética da Europa.


